Quais os alimentos que não devem faltar para uma boa alimentação? E quais devem ser evitados?


Nesta última semana do nosso mês com dicas de nutrição na infância, a nutricionista Julie Calixto Lobo , fala sobre quais alimentos não devem faltar na boa alimentação e quais devem ser evitados.

  

O corpo da criança se modifica rapidamente e o cérebro aperfeiçoa habilidades fundamentais, como visão, inteligência e capacidade de interação. Essas transformações estão interligadas; uma influência a outra. Todo esse desenvolvimento depende não somente das características da criança quando nasce ou do leite que ela recebe, mas também da interação com o meio em que vive. Tanto as necessidades físicas, como alimentação e higiene, quanto as emocionais, como sentir-se segura, amada e protegida, precisam e devem ser atendidas.

No que diz respeito a alimentação, o primeiro contato ocorre através da amamentação que deve ser exclusiva até os 6 meses de vida, o leite materno protege contra infecções, previne algumas doenças no futuro, como asma, diabetes e obesidade; e favorece o desenvolvimento físico, emocional e a inteligência. Os movimentos que a criança faz para retirar o leite do peito são um exercício importante para a boca e para os músculos do rosto e irão ajudar a criança a não ter problemas com a respiração, a mastigação, a fala, o alinhamento dos dentes e, também, para engolir.

É importante ressaltar que, nenhum outro tipo de alimento necessita ser dado ao bebê enquanto estiver em amamentação exclusiva: nem líquidos, como água, água de coco, chá, suco ou outros leites; nem qualquer outro alimento, como papinha e mingau. Mesmo em regiões secas e quentes, não é necessário oferecer água às crianças alimentadas somente com leite materno, pois ele possui toda a água necessária para a hidratação nesse período. Em dias quentes, a criança poderá querer mamar com mais frequência para matar a sede.

Além disso, o leite materno pode variar também de sabor de acordo com a alimentação da mulher. Por meio do leite materno, o bebê entra em contato desde cedo com sabores dos alimentos ingeridos por sua mãe, o que influencia positivamente as reações da criança quando ela começar a recebê-los a partir dos 6 meses.

Então, após os 6 meses de vida, a criança normalmente já apresenta os chamados sinais prontidão, são sinais de desenvolvimento que demonstram que ela está pronta para iniciar a alimentação complementar, por exemplo: demonstra interesse pelos alimentos, leva a mão ou objetos a boca, a cabeça está bem firme, já consegue sentar bem, etc.

A partir desse momento deve ser introduzida de maneira gradual (com evolução de texturas e minimizando reações alérgicas) uma alimentação adequada e saudável que se dá através da oferta de “comida de verdade”, ou seja, ela deve ter como base alimentos in natura ou minimamente processados (como arroz, feijão, frutas, legumes e verduras, mandioca, milho, carnes e ovos, entre outros). Os alimentos processados industrialmente (como enlatados, queijos e conservas) devem ser limitados e, se forem consumidos, utilizados em pequenas quantidades.

A diversidade da alimentação ajuda na construção de uma alimentação adequada e saudável, com oferta de diferentes nutrientes, e contribui para a prevenção de deficiências nutricionais, como a anemia e a deficiência de vitamina A. Para garantir a variedade necessária de nutrientes para a criança, sempre que possível, monte o prato dela combinando um alimento de cada grupo.

Coloque uma pequena quantidade de cada alimento no prato e observe a aceitação da criança, respeitando seus sinais de fome e saciedade. Se ela quiser mais, coloque um pouco mais de alimento no prato; se ela não quiser mais, pare de oferecer.

De maneira prática, o prato da criança (Almoço e jantar) deve conter:

              Um cereal ou raízes e tubérculos: arroz branco, integral ou parabolizado; milho em grão ou na espiga; grãos de trigo, farinhas de mandioca, de milho, de trigo ou de centeio; farinha, farelo ou flocos de aveia; macarrão ou massas frescas ou secas feitas com essas farinhas. Raízes e tubérculos: aipim (mandioca), inhame, batata inglesa, batata baroa (mandioquinha), batata doce, cará, milho, angu.

              Uma leguminosa: feijões de todas as cores, ervilha, lentilhas, grão-de-bico e outras leguminosas.

              Dois alimentos do grupo de verduras e legumes.

              Um alimento do grupo de carne e ovos: carnes, vísceras e outras partes internas de gado, porco, aves, pescados, frutos do mar e demais animais, bem como ovos. Esses alimentos contêm proteína, gordura, ferro, zinco e vitamina B12 e, no caso do fígado, também muita vitamina A. Todos esses nutrientes são muito importantes para o crescimento e desenvolvimento da criança.

              Frutas: para completar a refeição, pode-se oferecer um pedaço de fruta, junto ou logo após a refeição. A maioria das frutas contém vitamina C, que facilita o aproveitamento do ferro do feijão e das verduras pelo organismo, ajudando a prevenir a anemia. Além de serem fontes de outras vitaminas e minerais importantes, ricas em fibras (previnem a constipação intestina) e fitoquímicos que auxiliam no funcionamento do organismo.

              Água: Fonte essencial para a vida, a água também é um alimento. A partir dos 6 meses, quando a criança começar a receber outros alimentos, a água deve ser oferecida em copo principalmente nos intervalos entre as refeições. Oferecer água é importante, pois a criança não percebe que está com sede e não pede água. Deixar sempre um copo ou garrafinha com água tampada e acessível é uma boa estratégia. Em lugares muito quentes, a necessidade de água é maior.

              Expor a criança ao sol complementa a alimentação: A exposição da criança ao sol é o principal estímulo para a produção de vitamina D no organismo, uma vitamina muito importante para a formação dos ossos. O momento em que a criança toma sol pode ser uma oportunidade para brincar e interagir com familiares ou com outras crianças, aspectos que são importantes para o desenvolvimento. Uma combinação saudável e colorida, formando um belo prato. Ao longo do dia e no decorrer da semana, sempre que possível, ofereça os quatro grupos e varie os alimentos dentro de cada grupo. Recomenda-se escolher os alimentos que estão na safra, pois são mais saborosos, nutritivos e baratos.

Nas pequenas refeições, como café da manhã, lanche da manhã e lanche da tarde, o leite materno continua sendo um alimento importante e deve ser oferecido até 2 anos ou mais de idade, sempre que a criança quiser. Após 6 meses de idade, além do leite materno, ofereça alguma fruta no meio da manhã e no meio da tarde à criança. Após 1 ano de idade, pode-se alternar, oferecendo, em alguns dias, um alimento do grupo dos cereais, raízes ou tubérculos no lugar da fruta, conforme o hábito da família. Se for do costume familiar comer verduras e legumes nestes horários, a criança também pode recebê-los.

Mais uma vez, se a alimentação da família for saudável, a comida da criança não precisa ser diferente da comida da família. Essa prática facilita o dia a dia de quem cozinha e faz a criança se acostumar com a alimentação da família.

É recomendado que se ofereça frutas em pedaços em vez de na forma líquida, pois:

              Ao mastigar uma fruta, a criança exercita a musculatura da boca e do rosto e pode sentir a textura da fruta.

              Se o suco for coado, há redução das fibras da fruta que previnem a constipação intestinal (prisão de ventre ou intestino preso).

              Pelo fato de os sucos serem, geralmente, adicionados de açúcar, seu consumo está relacionado com o desenvolvimento de cárie e excesso de peso, entre outros problemas de saúde.

              O consumo de suco em horário próximo à refeição pode deixar a criança satisfeita e fazer com que ela diminua o consumo dos outros alimentos.

              Quando a criança se habitua a tomar suco para matar a sede, ela pode ter dificuldade em beber água pura.

              Além disso, tomar suco em excesso aumenta a chance de ela apresentar excesso de peso. Portanto, recomenda-se que não sejam oferecidos sucos de frutas à criança menor de 1 ano, mesmo aqueles feitos somente com fruta. Entre 1 e 3 anos de idade, eles continuam não sendo necessários, mas se forem oferecidos, pode-se dar cerca de 120 mL de suco por dia, desde que seja natural da fruta e sem adição de açúcar. Pode fazer parte de uma refeição, sendo oferecido, de preferência, ao término dela. Os únicos alimentos não recomendados em nenhuma das refeições são os alimentos ultraprocessados (Como biscoitos e bolachas, sucos artificiais, refrigerantes, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, guloseimas) não devem fazer parte da alimentação da criança. Nos dois primeiros anos de vida, frutas e bebidas não devem ser adoçadas com nenhum tipo de açúcar: branco, mascavo, cristal, demerara, açúcar de coco, xarope de milho, mel, melado ou rapadura. Também não devem ser oferecidas preparações que tenham açúcar como ingrediente, como bolos, biscoitos, doces e geleias. O açúcar também está presente em grande parte dos alimentos ultraprocessados (refrigerantes, achocolatados, farinhas instantâneas com açúcar, bolos prontos, biscoitos, iogurtes, sucos de caixinha, entre outros). Esse é um dos motivos pelos quais eles não devem ser oferecidos para crianças pequenas.

Não é recomendado usar adoçantes no lugar do açúcar, pois eles possuem substâncias químicas que não são adequadas a esta fase da vida.

Resumidamente, a alimentação das crianças deve ser composta por alimentos naturais, deve ser bem variada e livre de alimentos industrializados, utraprocessados, isso irá garantir a saúde integral da criança.

 Julie Calixto Lobo

Formação: Nutricionista graduada pela UFF, Mestrado USP, Doutorado UFRJ, Pós- doutorado UFRJ, Especialista em Nutrição Clínica Funcional

 

Referências Bibliográficas:

              Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primaria à Saúde, Departamento de Promoção da Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2019.

              Røed et al. BMC Public Health, 2019.

              Zhong et al. Microbiome, 2019.

              Scaglioni et al., Nutrients, 2018.

              Black, R Res Nutr Grow, 2018.

                          Pérez-Escamilla, Matern Child Nutr, 2019.



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